sábado, 25 de janeiro de 2014

EUFEMISMO

                                                                                                                                                             
                                                           EUFEMISMO!
                                                                                                                

                        Por que essa necessidade de se travestir relacionamentos, sentimentos ou mesmo acasalamentos em amor, e este em lirismo?
                        Idealizar os relacionamentos, romanceá-los, envolvê-los em poesia e esta em sonhos líricos, passou a ser uma tendência humana, fruto da monogamia hipotética que embasa a família, para a qual se trabalha, garantindo-lhe o sustento e sobrevivência e, para se   sustentar  esse ideal social, é que se mantêm a regência da fé, ordenada e orientada pela religião e suas igrejas.
                        Associou-se o sexo a algo sujo e pecaminoso, fruto dos desejos desencadeados pela sedução diabólica da serpente sinuosa, hipnótica, tentadora que nos mantêm presos ao seu bailado deslizante e arrebatadoramente sedutor!
                       Serpente essa que na sua dança envolvente, nos oferta curvilínea, perfumada, suculenta e colorida maçã, fruto que nos faz salivar e cair em tentação, remetendo-nos de pronto, à fase oral!
                        Salivando, nos rendemos a todas as paixões desencadeadas e, mordemos com vontade plena o saboroso fruto!
                  Assim também nos entregamos aos prazeres da carne, do sexo, entre cheiros e lambidas, caricias e mordidas num jogo de sinuosidades e seduções, modulações de voz e sussurros, de perfumes e odores exalados pelos humores  dos corpos ávidos e famintos!
                  Cheios de artimanhas e estratégias, nos vestimos com requinte, para nos despirmos em etapas e ritmos, em jogos de cena que arrebatam pelo suspense e, insinuam promessas, acirrando desejos, desencadeando paixões, despertando loucuras, nos fazendo cativos e irracionais!
                  Somos então, envolvidos em  elaborada teia que servirá de rede, oscilando ao convite dos prazeres e, assim embalados, arderemos em chamas e nos entregaremos loucamente apaixonados aos ardores que nos unem e nos consomem.
                   Consumidos após consumar e sacramentar a entrega em total amplexo, exangues e lascivamente satisfeitos, nos largamos prazerosamente ao descanso, ao silêncio da intimidade compartilhada, em arfar rítmico e suave, em cadência de saciedade e de paz!
                   Não deveríamos camuflar, maquiar, enfeitar, nunca deveríamos fantasiar, chamar de amor a esse arrebatamento e menos ainda envolvê-lo em lirismo que nada tem com a realidade vivida.
                O sexo pode vir a se transformar em amor, como o amor pode despertar arrebatamento e sexo.
                Quão linda é essa dança ritualística da vida!
                                                       

                                                                                                              

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

POR QUE SENHOR?

                                                                                                                                   
                            POR QUE SENHOR?
                                                                   

      Por que senhor?
      Esta louca paixão?
      Este arrebatamento
      total e insano?
      Desvairado e doce amor?
      Por que razão
      esse sentimento?
      Esse pensamento
      envolvente e tirano,
      me traz assim prisioneira?
      Por qual razão
      esse constante sentir?
      Essa mescla a mentir
      paixão e amor
      em doces lembranças
      contrastantes com dor?
      Essa dor persistente,
      essa dor permanente
      essas memórias doídas,
      essa descrença do amor?
      Desesperança sofrida,
      esse oco, esse vazio...
      esse amorfo sentir,
      essa aceitação a mentir
      paz em contraste!
      Em teimosas memórias
      do belo traste,
      egoísta e algoz!
       
                     Mariza C. de C. Cezar
                                          
    

                                                  

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

CAMPO SANTO

                                                                                                            

           
                      CAMPO SANTO
                                                                                                      

                     Campo Santo deveria ser o local de repouso daqueles que tomaram o barco da grande travessia, levados todos em sua hora certa, em momentos e circunstâncias incertas, sempre pelo mesmo barqueiro.
                    Barqueiro fiel cumpridor do seu destino, a condução de almas purificadas pelas águas do rio da vida, na travessia de uma margem a outra, de um estágio ou dimensão, para aquela em que promessas e incógnitas esperam pelos passageiros.
                 Viajores que se aventuram e se entregam à grande viagem, uns longamente programados, outros meio de surpresa e incrédulos, tateando no reconhecimento do inesperado, do não desejado.
                
                Enfim a viagem e o destino ficam para outra oportunidade em circunstância e tempo mais apropriados.
                      O móvel destas considerações é o destino de repouso das vestes não levadas, pelo desgaste delas, por inapropriadas como bagagem sem serventia, como peso morto, ao “clima” ou destino, após travessia do referido rio.
                  Questões de moda e de serventia, diriam muitos, de terem cumprido seu destino e funções, diriam outros, o caso é que as velhas vestes tão surradas quanto usadas, abusadas e, muitas vezes maltratadas, se quedam frias e largadas às intempéries, como coisas ultrapassadas.
                   Seus tecidos e moldes ou modelos, guardam no entanto, todo o histórico da vida vivida, de suas andanças e serventias, assim como das aventuras e travessuras a que foram levadas e de que participaram.
                  Não quero filosofar sobre a vida que tiveram e nem sobre a que poderiam ou deveriam ter tido, pois isso seria para uma outra história.
           Minha meta é o ponto de repouso dessas vestes abandonadas, desses corpos que aqui ficaram  resignados uns, revoltados outros, enfim todos chorosos e entregues à realidade de ser pó e, ao pó retornar.
                    Merecem todos, eu acredito e assim, gostaria que de fato fosse, que respeitosa e carinhosamente cobertos fossem em campo santo, realmente santo, entregues ao  repouso sagrado, no seio acolhedor da Mãe Terra, em pequenos grupos de lápides familiares, em meio à relva e sob frondosa arvore.
                  Outro local santo, seriam os pequenos e despretensiosos túmulos, velhos túmulos nas terras de velhas e rústicas igrejas ou capelas, abrigando indistintamente membros da sociedade circunvizinha, ou mesmo a um viajante sem destino, que de passagem, se deixou ficar.
             A verdade amigos meus, é que abomino cemitérios, verdadeiras cidades de mortos que, se aqui deixaram suas velhas vestes, carregam como incomoda e inapropriada bagagem, alem dos choros e lamentos de carpideiras, o orgulho, a vaidade, a soberba daqueles que aqui deixaram.
                Parentes, amantes ou amigos que usam a memória de quem partiu, construindo nababescas sepulturas, faraônicas tumbas, túmulos e lápides de nobres materiais, ornando-os com obras de arte de grande requinte e enorme custo!
                   Não é essa soberba que ajudará a travessia daquele que parte, este necessita de paz, de leveza para ascender a outra dimensão e seu corpo velho, suas gastas vestes que aqui ficaram, necessitam de descanso, também de paz e de se irmanar à natureza para a qual é devolvido.
                  Cada povo tem sua história, seus credos, sua cultura.
           Já disse que de minha parte, reverencio mais aquelas pequenas lápides no chão ou na relva ou aqueles gramados em que pululam pequenas cruzes brancas, se bem que entre todos os rituais de que tenho conhecimento, o que mais me encanta é o dos celtas que colocavam o corpo em pequeno barco e o soltavam ao mar e, da praia, estando já distante o barco, o atingiam com setas acesas em tochas  que encontrando o alvo, o faziam arder em chamas e, dessa forma guerreira e poética se cumpria a profecia da grande travessia.
                Não sendo celta e vivendo distante no tempo e no espaço, desse lindo ritual, quero deixar claro que prefiro ser cremada e minhas cinzas, por favor, com carinho e respeito, tendo nos lábios ou no coração uma oração, ou mesmo uma canção, abram o frasco, descerrem a urna e, do alto de uma montanha, espalhem as cinzas ao vento.
                  Sim, espalhem minhas cinzas ao vento vez que quero me irmanar e me reintegrar à Onipresença Divina, como grãozinho de poeira, na copa de uma arvore, como adubo  em horta ou pomar, ou quem sabe um pequenino cisco nos olhos de desavisado transeunte ou ainda, me mesclando ao pólen de bela e perfumada flor!
                 Quem sabe ainda, por ter sido sempre tão comportada e restrita, contida, finalmente vir a me espalhar ao vento e comungar com a vida!

              
                                             Mariza C. de C. Cezar
                                                                                                            

                                                                 
                                                     
                                                           
                                                       

              

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

FASES

                                                                                                                                                         
                                                           FASES
                                                                                                                  
                                                                                                                                                             
                           A fase da boa menina,
                           acabou! Se findou,
                           passou, se apagou,
                           até desbotou!
                           Agora  começou a fase
                           da velha sacana
                           que sem o ser,
                           assim se faz parecer,
                           pelo que diz
                           sem fazer.
                           Uma fase bacana!
                           Autêntica, porreta!
                           Sem peias, nem meias
                           palavras, nem gestos
                           contidos, mentidos,
                           castrados, calcados,
                           recalcados, calados.
                           Seria a fase correta?
                           Ou outra virá?

                                         Mariza C. de C. Cezar
                                                                                          

                                                        
                                                   

                                                         

sábado, 4 de janeiro de 2014

PARALELAS

                                                                                                                                                                   
                                                                                                   PARALELAS.
                                                                                                            

               Segurar sobre o papel uma caneta e deixar que os dedos sigam os caminhos das paralelas entre espaços, registrando em garranchos corridos ou elaboradas grafias, o que lhe ditam instintos, sussurros, vozes ou gritos, ainda lamentos ou gargalhadas, até ironias em tons coloquiais, doutos, trabalhados ou impulsivos e chãos, por vezes com pitadas de cinismo, o sal das caricaturas.
               São palavras que se sobrepõe a outras palavras, independente do estilo, cadência, rima, significado lógico, claro ou insinuadas citações ou sentimentos velados que nos espiam das entrelinhas!
              Serão ditadas do coração ou da razão? Estaremos nos expressando com os sentimentos ou com o cérebro no comando de neurônios que emitem ordens e impulsos elétricos a músculos e nervos que se põe a dançar ao som e compasso, no ritmo das ondas recebidas?
             Quem sabe, esse malandro comandante, esse cabeça da tal engrenagem, ao acessar o banco de dados da memória, os registros de impressões vividas ou colhidas, acesse também os humores  e hormônios e, da química orgânica desencadeada e desencadeadora de emoções, como de ações ou reações, para colocar um pouco de vida, de ritmo, de colorido, ao que os dedos transmitem à inanimada caneta contadora de histórias?
         Sei com certeza, que tal aventura não se trata de psicografia e nem de associação aleatória de palavras a descortinar o subconsciente!
          Sei ainda que esse baile da caneta sobre o papel, esse caminho percorrido, essa aventura não é aleatória, mas um trabalho ou um jogo prazeroso em que se reúne e acorre, todo um exército, sob o comando da regência da vontade imperante, de todo esse complexo chamado humano!
          Será?

                               Mariza C de C. Cezar.
                                                        
                                                 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

ANO VELHO X ANO NOVO!

                                                                                    

                           ANO VELHO X ANO NOVO!
                                                                                                    

                    Ao ano que acaba, obrigada!
                    Vai em paz meu velho!
                   Segue o seu caminho, que é esse o destino de todos nós, cumprir seu tempo, fazer o possível e o impossível dentro dos limites pré-estabelecidos!
                   Não se creia esquecido, pois passará para a história dos tempos e de cada um de nós!
                 Ano Velho, meu caro, você se transformará em memória, irá virar ingrediente, quem sabe adubo ou referência para o novo ou para todos os novos que virão depois!
                    É chegada a sua hora! É a despedida!
                   Segue com a minha benção e gratidão!
                   Dois mil e quatorze (2014), já recebeu seu nome!
                Assim que chegar será bem acolhido com fogos e brindes, com abraços e beijos, algumas preces e muita euforia, alguns desmandos e bebedeiras, em nome do novo a que tudo se permite ou se desculpa!
                  Bem vindo seja oh promessa de vida!
                  Receba nossos abraços, preces e pedidos, realize nossos sonhos e renove nossa esperança e fé!                  
            Traga esse cheirinho tão inebriante de novo, que insinua promessas, que esperamos realize!
                  Venha, caminharemos juntos e eu conto com você!      
                                                     
                              
                                           
            
                           Mariza C. de C. Cezar         
                                   2013/2014