domingo, 5 de março de 2017

ERAM OUTROS OS CARNAVAIS...






                                                                                                                                                             
                ERAM OUTROS OS CARNAVAIS...





                Sexta feira que antecedia ao Carnaval, a festa da alegria!
                A mãe passara horas de dias à máquina Singer, daquelas de pedal herdada da mãe dela e ali gastara as vistas e precioso tempo como também suas economias milagrosamente oriundas do orçamento doméstico!
                Feitas estavam as fantasias, uma para cada dia de folia sadia e tradição familiar. As das crianças mais fáceis e improvisadas, mas as das filhas, sendo mais velhas que os meninos, tinham sonhos, vaidade, ilusões e exigências! Criavam com requinte suas caracterizações.
                Finalmente tudo pronto e perfeito! A alegria tomava conta da casa, a mesa bem situada, já fora reservada no clube para as quatro noites e as três matinês! Comprados estavam os confetes e as serpentinas.
                Eis que chega o pai que estava viajando e solene e absurdamente joga um balde de água fria na alegria reinante! Ele sempre aficionado companheiro de folguedos, solenemente decreta em tom irrecursável o fim da euforia, dizendo:-“Este ano não haverá carnaval”!
                Olhos incrédulos, mãe e filhos não podiam crer em seus ouvidos!
                Não adiantaram choros copiosos, pedidos, argumentações, promessas, questionamentos e muito menos os vários “por quê?” brotando das bocas mais ousadas.
                Irredutível, dizia o pai: -“Porque eu quero! Aqui em casa, este ano nem se cogitará de carnaval.”
                A filha mais velha se faz porta-voz dos outros e indaga incisiva: -“ Por que? Só por capricho? Que absurdo de maldade!”Ao que o pai responde: - “Vocês vão ouvir muitos nãos ao longo de suas vidas e este, será para ensiná-los e para que vão se acostumando e se preparando a eles.”
                Absurdo protesta a mulher e também os filhos, enquanto lágrimas com gosto de frustração e revolta escorrem dos olhos já inchados pela choradeira da prole.
                O clima domestico se fez de perplexidade misturada a frustração, mágoa e revolta enquanto o pai, persistia na negativa peremptória.
                Essa a situação inusitada quando ouve-se um carro estacionando em frente à casa , seguindo-se de palmas e alguém vai entrando enquanto chama pelos da casa  e aparece um primo dos mais velhos e muito querido do tio.
                Logo entre choros e palavras atropeladas pois falavam todos ao mesmo tempo, foi o visitante colocado a par do decreto malfadado.
                Com certa ascendência sobre o tio de quem era muito amigo, conseguiu depois de papo a dois, a quebra do decreto, o sobrinho se responsabilizando pelos primos mais novos, acompanhado da tia.
                Acertada a reserva da mesa, comprados os lança-perfumes Rodo Metálico, às quatro noites e às três matines, para alegria geral, foram as fantasias levadas aos folguedos e brincadeiras saudáveis dos velhos carnavais.

                                          Mariza C.C. Cezar
                                                                                                                      
   

3 comentários:

Carlos Gama disse...

Bem-vindo o primo naquele carnaval.
Ah, se a vida nos propiciasse sempre um primo Divino que conseguisse mudar os "não" pela vida afora.
Felizmente esse "primo" não existe, porque, embora muitas vezes saibamos o que queremos, quem sabe daquilo de que precisamos é a Divindade Maior.
Abraços, Mariza Amiga.
Parabéns pela lembrança tão alegre.

Flávio Tallarico disse...

Os carnavais da vida nos revelam grandes surpresas. AQ autoridade paterna, rígida e severa, tinha ascendência total sobre os filhos. Hoje, eles apenas dizem que vão sair com fulano, com o qual está "ficando" e vai dormir na casa dele. O pai ouve e continua lendo o jornal.A mãe sorri desconsolado, vendos as suas pequenas crias fugindo para outros ninhos. Fazer o que, amiga. Parabéns pela crônica e um abração.

Maria Luiza De Paula Tasso disse...

Saudade dos meus 15 anos e dos carnavais de outrora! !!
Muito divertimento,adoravamos o lança perfume metalizado,confete,serpentina todos amigos bailando,bailando,bailando...
Adorei Mariza.
Abraços.
Ah,parabéns pelo primo,o nosso nunca apareceu !!!
😙🙋👍