sábado, 2 de novembro de 2013

FINADOS

                                                                                                               
                   

FINADOS!                                 
                   
Finados!

                    Dia universalmente dedicado à memória e reverência aos nossos seres amados, que se finaram para esta vida!

                    Que abençoados sejam, que Deus, o Deus de cada um, de todos os povos e tradições ou credos, os envolvam em luz!

                     Fim? Fim de uma etapa, de um ano escolar do currículo da espiritualidade, fim da crisálida que passa pela metamorfose alquímica de alças voo.

                     Lagarta que se arrastava pelos chãos da matéria e que, a deixando virar pó e, do pó que é nada, se mesclar como adubo, metamorfoseada e livre das amarras da pesada e triste identidade, passa livre a voar, vibrar, interagir com outras realidades mais belas e etéreas!

                    Saudemos e reverenciemos  a memória daqueles que, hoje libertos, fizeram parte do nosso cotidiano, da nossa realidade e, hoje e sempre, farão parte das nossas memórias e bem querer!

                  Recordemos  nossos amados, com carinhosa alegria e assim, festejemos suas lembranças, sem apegos, que nos fazem sofrer e atrasar a evolução, o caminhar nosso assim como o deles, na escalada evolutiva, na ascensão à luz!

                  Respeitemos suas memórias e as lições de amor e afetividade que nos deixaram, pois somos seres em ascensão, em evolução e não há e nunca houve ser humano perfeito e inteira e totalmente bom!

                 Somos todos seres em busca da luz e do amor!
                                                                                      
 
                                                                         
                                                    
                                                                          
                                                      

sábado, 26 de outubro de 2013

EM QUE PEDAÇO DO CAMINHO.....

                                                                        

                  
  EM QUE PEDAÇO DO CAMINHO.....
                                                             
                                   


                    Em que pedaço do caminho me perdi de mim?

                    Educado com ranços de tradição e rasgos de avanços tidos por liberais, frutos de sofisticada cultura que carrega ousadia para com  os usos e costumes imperantes.

                    Educar tinha a conotação de moldar, se necessário, castrar qualquer manifestação que fugisse às normas do bom comportamento, do politicamente correto, quer em sentimentos, pensamentos e ações, como ainda, das etiquetas,  apresentações e convívios em sociedade ou família.

                   Robôs animados e enfeitados, interagindo como se vivos fossem e acreditando mesmo em sua condição humana!

                  Robô interagindo, crescendo, desenvolvendo intelecto, caráter, personalidade, produzindo e, vez por outra, ousando o suficiente para se acreditar autêntico, humano.

                Ao longo do caminho, se investiu de e, usou persona, por vezes, alternadas caracterizações, umas o fez consciente, outras treinado que estava, inconsciente e inconsequentemente.

              Tão treinado estava o robô, que não se sabia diferente, pois assim fora construído, abafado ou anulado.

             Feito de  matéria prima vibrante e fértil, uma vez moldado, carregava tons de credibilidade à animação apresentada e, por ser vibrante e fértil, era o primeiro a acreditar na criação que encenava.

              Se matéria prima era, assim foi moldado  e, como o programado assumiu a criação que imposta, lhe foi apresentada e presenteada, pois a vida não é dádiva e, o maior presente do Criador?

               Assim querem os preceptores, assim mandam os deuses!

               No entanto, se acreditando humano, tinha a regalia de pensar que pensava e, por vezes questionava e mais ainda, filosofava!

               Então, a questão:

               Quem sou eu? Em que parte do caminho, me perdi de mim?

                                             Mariza C.C. Cezar                                         

                                                   
                                                                         

sábado, 19 de outubro de 2013

VELHA AMIGA II

                                                                                                                 
                 
VELHA AMIGA  II

                
É tarde já!

                A esta hora eu deveria dormir a sono solto, pois amanhã, segunda feira, será um dia atribulado, corrido como todos os dias chamados úteis.

              Úteis a quem? E por que ?

              Não sei, mas sei que da cama me levantei para registrar, dizer de uma lembrança que há dias comigo vive, de uma forma tão nítida que posso até dizer, que comigo convive a figura da velha amiga.

             Figura viva da velha matriarca de talhe pequeno, nariz, ao que me lembro, adunco e, os olhos espertos, vivos como seu espírito atilado.

            De humor ligeiramente sagaz, era a velha amiga, uma amiga da família, como toda a sua família composta de grande prole entre filhos, netos e bisnetos.

            Gente boa e de bom coração.

           Gente de tradição nesta baixada santista, em que os homens de sua prole, eram quase todos voltados ao convívio das leis e, a filha, ao que eu saiba, a única filha mulher, casara-se já não criança para a época, com um bem posto senhor , homem bonachão, culto, inteligente e quieto, retraído até, ainda mais em se tratando de autoridade e, bem mais quando comparado ás gentes da matriarca!

          Gentes que, sob certos aspectos, poder-se-ia dizer, serem um tanto irreverentes com os usos e costumes predominantes à época.

          Sua gente, como ela era, era e ainda é, de personalidade definida, com atitudes de vanguarda, fazendo prevalecer desde sempre, o que hoje a “jovem guarda”, com muita propriedade, assume e torna moda, preconceitos derrubando, ranços aniquilando, impondo a realidade aos bolores da sociedade.

         Enfim, fujo ao assunto! Quando na verdade, era dela que eu queria dizer, da velha Madame, senhora já de certa idade, quando criança a  conheci, viúva entrada em anos, cercada de respeitabilidade que sabia merecer.

        Como gostava de um carteado!

        Jogava como que! Dominava o pife-pafe e, não havia dia em que não jogasse, batendo sempre e de surpresa apanhando aos incautos que, por vê-la entrada em anos e a cochilar por sobre as cartas, não esperavam ouvi-la dizer, ao descarte do outro lado: -“Bati”.

         Diziam que sua sagacidade vinha das origens   de além mar e, seu humor, a sua “verve”, era na realidade, bem ao estilo dos franceses.

         Sempre atenciosa e gentil, a mim como criança, agradava e encantava, como figura das vovozinhas de contos de fadas.

         Mais tarde, como menina-moça, sempre com ela convivendo, fui aprendendo a querê-la bem e, ria-me quando ela pegava o telefone, desavisada do inconveniente da extensão e, ao meu querido tio, seu amigo e amigo também do pife e assim chamava: “- Dr. Noronha, escuta, escuta mas não fala “ e combinava o carteado, sem saber que do outro lado, minha tia a tudo ouvia, ouvia e sorria da malandragem da velha amiga que, com seu marido entabulava conversação, combinando uma jogatinazinha de que ela não participava, por ter às cartas aversão.

        Já moça, quando á nossa cidade retornei, me lembrei da velha amiga e, calculando-a mais velha, afastada de sua paixão pelo decorrer dos anos, do tempo que a tudo afeta, resolvi visitá-la.

      Da minha casa á sua, num pulo de poucas quadras, cheguei á av. Bernardino de Campos, o canal dois, arborizado e tradicional.

       Bati, esperei e entrei logo a abraçá-la!

       Fez-me festa a velha Senhora, que tão velha não me pareceu.

        Contou-me que ainda jogava, que às cartas não deixara e, que na vista continuava a colocar pinga com limão!

        Depois das perguntas mútuas, de falarmos dos meus e dos seus, para surpresa minha, de moça tola e despreparada para os avanços da vida, pôs-se ela, com graça e um “que” matreiro, a espantar da moça a meninice, com piadas alegres e de pimentas cheias! Todas elas e enrubescer-me, pois eram piadas de Bocage!

       Uma figura dessas não desaparece!

        Não soube quando ela se foi, não fiquei sabendo do seu enterro, mas sua figura nítida, seu espírito vívido e atilado permanecem nas minhas lembranças, não como coisas do passado, mas como exemplo presente de como devem ser as gentes para sobreviverem para sempre, deixando seu rastro de saudade.

        Suas atitudes perenes, por não se limitarem ao tempo, ficaram como exemplo do que é ser e viver com realidade.
                                                                
                              

                                                                        
                           

                                             

sábado, 12 de outubro de 2013

RECEITA

                                                                                                             
        

                 
RECEITA                                      

                
Pureza, autenticidade, espontaneidade, uma pitada de traquinagem, certa dose de inconsequência, ainda umas tantas bem cheias de ingenuidade, porção ampla de alegria, outra igual de otimismo e, mais outra de deslumbramento, ainda de meiguice e, um ingrediente especial em boa quantidade, a encantadora curiosidade!

               Como trabalhar tais ingredientes?

               Haveria uma receita correta?

               Quem ousaria dizer que sabe, que seu jeito é o melhor ou infalível?

               Acreditarão alguns, terem herdado receitas únicas e infalíveis das tradições familiares, outros terem descoberto em laboratórios universitários ou em doutos compêndios, receitas melhores, mais eficientes, irrepreensíveis, entretanto amigos, difícil dizer se há receita única ou, melhor receita.

              Os ingredientes são variáveis em qualidade ou quantidade.

              A “cozinha” ou lar, sinônimos que são tanto nas palavras cruzadas quanto na literatura popular, são laboratórios, sempre experimentais.

             Esses laboratórios são uns mais bem equipados, outros mais modernos, ou tradicionais e, os “doutos” ou “técnicos” cozinheiros,  meros humanos  mais ou menos preparados ou qualificados e, a matéria prima delicada  e fresca, tem peculiaridades próprias e de ambiente, de germinação, colheita, embalagem, transporte e manuseio.

            Como trabalhar, como preparar ingredientes tão diferentes, com características próprias e únicas?

            A mim parece que, em princípio, temos que sabê-los vibrantes, pulsantes, únicos e, saber respeitar as características próprias, e individuais da matéria prima que, sendo viva deve ser aceita, reverenciada, amada, cuidada, orientada gentilmente para que o paladar, o colorido e o perfume ou buquê  desses ingredientes maravilhosos desabrochem, cresçam, se desenvolvam atingindo o ápice de sua potencialidade, sem perder a beleza e a originalidade única que trouxeram à vida!     
                                                                                                                                                     
       
                                                  

terça-feira, 8 de outubro de 2013

SILÊNCIO !

                                                                                                   
                
SILÊNCIO!

 

                 A eloquência do silêncio!

                  Inquestionável!

                  Admirável!

                  Silenciar sem calar!

                  Arte maior da ampla expressão!

                  Dizer sem falar!

                  Abster-se sem “engolir sapos”.

                  Expressar sem “atirar pérolas aos porcos” ou “palavras ao vento” e, nem tinta sobre o papel.

                 A voz do silêncio.

                 A força de abster-se!

                 A sabedoria arcana da Papisa.

                 A lição primeira de Pitágoras.

                 Psiu........

                 Silêncio...                 
                                            
                                                                                                                          
                                   
                                                                     

sábado, 28 de setembro de 2013

OLHO GULOSO!

                                                                                                         
                  
OLHO GULOSO!                          

                  
  Deus meu! Como sou gulosa!

                    Por favor, não me entendam mal!

                    Minha gula não se prende às coisas do estomago ou do paladar, pois para essas até que me surpreendi com grande controle e disciplina, tanto que mantenho atualmente, meu peso dentro do que me permite a genética e a hereditariedade, assim como a diabetes, totalmente sob os aplausos da diligente endocrinologista que me acompanha já há alguns anos.

                   Minha gula sempre se manifestou com relação ao belo e ao útil, sempre foi imperante para com o que enfeita a vida e enriquece o espírito.

                   Uma das minhas taras diz respeito aos livros, estou sempre querendo mais, muito mais!

                    Lógico que tem assuntos e matérias que me chamam e prendem a atenção, mas minha gula não se contenta com elas, muitos ou quase todos os assuntos, se impõe e hipnotizam meu olhar guloso!

                    Nunca resisti muito ao chamamento das livrarias, suas prateleiras parecem sempre ondular, vibrar, dançar e atraem meu olhar disputando o interesse! Difícil sempre adequar o bolso , o limite do cartão e a força dos pulsos artríticos, a arcar com o custo e peso da gulosa avidez dos olhos e saciar o gosto de “quero mais” que insiste em pingar da boca voluptuosa e extasiadamente sorridente e deslumbrada!

                    Verdade que tive outros amores , os cristais de rocha e as lindas pedras brasileiras, despertaram minha paixão e gula!

                    Ainda aí o velho amor aos livros se irmanou a elas, pois para melhor conhecê-las, assim como aos seus usos e propriedades curativas, busquei com voracidade, os velhos amigos e companheiros.

                    Há quem censure e reclame e também, quem argumente com delicadeza uns, e outros nem tanto, dizendo cada um à sua maneira, que tenho espaços e vida atravancados com “tralhas”, se referindo assim os menos gentis, ou ainda menos interessados no que não atende à praticidade, para eles tão imperante, no caso aos meus sagrados e apetitosos livros e também  aos cristais de rocha!

                    Até dos quadros, óleo sobre telas, já houve quem se atrevesse a dizer que deveria deixar as paredes mais nuas, mais “clean”!

                    Verdade que sou e me considero gulosa e, muito gulosa para com o belo e as coisas do espírito e essa observação constatei agora ao olhar entre pesarosa e divertida, a minha última aquisição feita por telefone, pois se o título e o assunto me encantaram, levei verdadeiro susto quando chegou o sedex!

                    Imenso e pesado volume! 1 150 Páginas sobre “Cultura e Religião no Brasil”, assinado por Francisco van der Poel ( Frei Chico), sob o título de: “Dicionário de Religiosidade Popular”!

                    Voltando a um dos verbetes da mais nova aquisição, “olho gordo” tão comumente referido pelos usos e costumes populares, devo esclarecer que esse não tenho e na verdade nunca tive, o que tenho mesmo e, reconhecidamente, é um terrível olho guloso, ávido e untuosamente guloso!

                    Devo acrescentar que, essa minha gula não agride e nem violenta a ninguém e menos ainda, fere suscetibilidades outras, pois não atinge e nem prejudica , a não ser quem sabe, à diligente faxineira amiga e solidária que, vez por outra, me ajuda na eterna luta contra o pó que insiste em penetrar, atrevida e sorrateiramente em nossas vidas e espaços!
                                                           

                                        

                                                                        
                                                                                                         
                                                       

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

GRAMÁTICOS DE APITO E CARTEIRINHA!

                                                                 

                                     
               
  GRAMÁTICOS DE APITO E CARTEIRINHA!

 

                 Tem muita gente que se arvora em posições pouco simpáticas, como por exemplo, os chamados fiscais de quarteirão, mas esses são até figuras interessantes sob o aspecto social ou psicológico e, sugerem algumas caricaturas ou charges risíveis e curiosas, quiçá simpáticas.

                  No entanto, sensores ou fiscais gramaticais atentos às correções ortográficas,que a mim parecem, pulular por estes “Brasís”, vêm crescendo desde a última reforma ortográfica,que dizem ser bem menos exigente para com as regras tradicionais a que sempre se ativeram linguistas e filólogos.

                  Eu que passei por alguma dessas reformas e cresci ouvindo comentários e críticas às reformas anteriores, a esta altura dos acontecimentos, já não sei mais a qual seguir e, confesso que escrevo muito melhor à mão ou mesmo à máquina, do que digito.

                   Não sei também se a pressa da internet, desse virtual que impera e agiliza a tudo, inclusive à vida enquanto encurta espaços na dinâmica de a tudo abraçar e ultrapassar, faz com que me atropele e me ultrapasse, enquanto me perco de mim e das minhas certezas.

                    Se por um lado, me perco de mim, uma certeza tenho e dela não abro mão pois, se até aceito o dinamismo virtual em que vivemos e que tudo muda, não aceito em hipótese alguma o descaso ou desrespeito para com os nomes próprios, mesmo para com os que possam me parecer, como alguns surgidos de repente do nada, fruto da criatividade esdrúxula de muitos.

                    As grafias constantes dos registros civis hão que ser respeitadas!

                    A verdadeira identidade de um indivíduo, nome ou pré-nome e o patronímico, identificam aquele ser que vindo ao mundo, pelo registro de seu nascimento se torna um cidadão!

                     Hoje vemos imperar o improviso, a criatividade, a junção de nomes e outros homenageando figuras de destaque do esporte ou das telas cinematográficas ou televisivas, seja de que lugar do mundo ou em que língua forem, até patronímicos surgem vez por outra, não sei se importados do mundo das fantasias, alguns até referidos com destaque como tradicionais!

                    O que me causa estranheza, é no meio de toda essa criatividade reinante, surjam impunemente,  mestres sala ou escola que pomposa e acintosamente corrigem a grafia do meu nome como também do meu sobrenome!

                    Nasci num tempo em que se escrevia Luis com “z”, assim como o “z” ainda em uso e em moda, por tradição, por escolha, por preferência  ou quem sabe até por metafísica, numerologia ou superstição, como queiram, foi grafado no meu registro de nascimento duas vezes. No pré-nome Mariza e, em um dos patronímicos, o Cezar de Cerqueira Cezar e não como insistem alguns atrevidos, que o querem César com acento e esse, o meu        foi grafado com “z”!

                    Ora meus caros fiscais ortográficos, gramáticos de apito e carteirinha, continuem velando pela grafia pátria mas, por favor, em respeito às leis vigentes, respeitem à individualidade alheia e saibam que, se eu grafo o meu nome com a letra “z”, o faço pura e simplesmente por assim ter sido registrada : Mariza e Cezar com “z”!

                    Por favor! Minha carteira de identidade, respeitando meu registro de nascimento diz que sou : Mariza Camargo de Cerqueira Cezar e, essa sou eu, com muito respeito e com muito orgulho!

                    Por todo o exposto, respeitem a grafia dos nomes próprios, isso é imperante e de minha parte, não abro mão disso,e é  bom, eu gosto e agradeço!